sábado, 30 de março de 2013

PALMIRA MORAIS SE PREPARA PARA REESTRUTURAR O GRÊMIO ESTUDANTIL



As escola Professora Palmira Morais foi pioneira no apóio e na organização do Grêmio Estudantil. A fundação se deu em 28 de novembro de 2000. Entre os anos de 2006 e 2007 ele funcionou plenamente e fundou inclusive a Rádio Escola denominada "Sintonia Jovem" . Entretanto nos anos seguintes a instituição perdeu apoio e espaço dentro da escola. 



Neste ano pretendemos ainda no mês de maio, reestruturar o Grêmio pois acreditamos que o grêmio é o espaço de representação dos alunos na escola, configurando-se como instrumento destes para a materialização de seus desejos e expressão de suas revindicações. Iniciaremos com um ciclo de palestras para orientar os alunos quanto ao processo de formação de chapas, eleição dos representantes, conhecimento do estatuto e o papel político e social dos membros do Grêmio.


A seguir: recomendamos a leitura de um interessante artigo sobre a importância do Grêmio na Escola.

O grêmio como uma experiência democrática, de participação e de formação pessoal
Aprender com a prática


A experiência democrática inerente ao processo de formação e consolidação dos grêmios é também um importante processo pedagógico. Afinal, os alunos vivenciam no período de eleição a construção de uma chapa, constroem coletivamente planos de governo, pautados nos anseios deles próprios e dos demais estudantes; participam do pleito eleitoral e, posteriormente, gerenciam o grêmio. Ou, caso não sejam os vencedores ou sejam alunos que não participaram da disputa eleitoral, colaboram com os eleitos, cobrando-os ou construindo com eles a gestão estudantil. 


Claramente, as vantagens extraídas de uma experiência democrática representativa na escola são muitas, ainda mais se os frutos a serem colhidos forem considerados também no longo prazo. Em primeiro lugar, porque os jovens, logo no momento em que começam a consolidar sua identidade como cidadãos, iniciam sua vida política como sujeitos de um processo coletivo de escolha e tomada de decisão.
Em alguns casos ainda têm a incumbência de gerir uma associação representativa.


Em segundo lugar, a participação no grêmio estudantil é um intenso processo pedagógico de negociação, questionamento e empreendedorismo, elementos centrais no amadurecimento individual e profissional dos estudantes, queiram eles optar pela carreira pública ou não.


Um outro aspecto importante é o fato da participação no grêmio incitar os jovens a exercerem e dominarem atividades formais, geralmente administrativas e notadamente imprescindíveis ao encaminhamento bem-sucedido de seus projetos de vida. 


Elaborar o estatuto e o regimento interno, fazer as atas das reuniões, controlar e preencher o livro-caixa, responder correspondências, buscar parceiros e financiadores, produzir jornais, convocar e organizar assembleias, fazer balanços, negociar com a direção da escola, escrever e viabilizar projetos e empreendimentos diversos, debater publicamente etc. Tudo isso desenvolve inúmeros conhecimentos e capacidades essenciais na vida, tanto juvenil como adulta, permitindo ao estudante um desenho plausível de um futuro desejado e exequível, em que o sonho está pautado numa sólida análise da realidade que ele terá que enfrentar. 


Ação política 

Como o grêmio estudantil é uma instituição política, representativa e democrática dentro da escola, sua atuação tende a tornar a unidade escolar um espaço público amplo e difusor de politização, inclusive à comunidade do entorno. Isso ocorre porque a ação política, por definição, é preeminente e a partir do momento em que ela é disparada, logo uma outra a sucede, criando um caminho sem volta de onde emergem conflitos, propostas, discursos, mas essencialmente negociação e experiência coletiva. 

Como uma ação política gera outra, necessariamente, no momento em que os jovens optam pela participação nos grêmios, naturalmente iniciam suas atividades reivindicando por melhorias no espaço físico da escola etc. Mas com o decorrer do tempo, logo passam a discutir temas de grande abrangência pública como projeto político-pedagógico, programas de cultura e lazer às juventudes presentes na unidade escolar, políticas de emprego, política educacional (com especial atenção ao acesso à universidade), violência, entre outros. 

Depois de acesa e alimentada, a chama da participação domina o espírito dos estudantes e os encoraja ao exercício da cidadania. Com o tempo, eles ocupam todas as instituições da escola (Conselho Escolar e Associação de Pais e Mestres), chegando muitas vezes a liderá-las, além de atuar em outras organizações externas ao ambiente escolar, superando em alguns casos as fronteiras comunitárias.


Infelizmente, não são todos os grêmios que alcançam plenamente esses resultados. Em parte isso ocorre pelos próprios limites da cidadania e da cultura cívica democrática no Brasil. Mesmo sendo a escola algo nada novo, trabalhar em seu território, aproveitar as suas potencialidades e superar seus obstáculos, a torna um espaço propício para o semear de perspectivas e colheita de soluções. 

Daniel Tojeira Caravice-presidente do Conselho Nacional de Juventude e coordenador da Área de Juventude do Instituto Sou da Paz, SP

soudapaz@soudapaz.org

Artigo publicado na edição nº 373, fevereiro de 2007, página 16.

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